CONCEITOS DO KAMBAN

 
 
Orion Manufatura® e os princípios básicos da aplicação do conceito do Kanban
 
O sucesso do Kanban é esteado no conjunto de medidas que serão aqui relatadas, mas com certeza conhecemos e usamos, senão vejamos:
 
São ferramentas básicas que podem ser usadas em qualquer tipo de produção, porem só terá sucesso se neste chão de fábrica, representado por uma pirâmide, nela, todo contingente estiver conjugando o verbo no mesmo tempo, ou seja, no tempo presente. Sendo que em todas as escalas desta pirâmide exista uma só linguagem.
 

Limpeza e arrumação: 

O próprio termo já diz tudo, é preciso entender que chão de fábrica não é, nunca foi e nem nunca será depósito de lixo. Ao se deparar com uma mesa cheia de papel e extremamente bagunçada, com certeza o usuário desta mesa tem dificuldade de organização e pouca probabilidade de trabalhar sobre um planejamento. Então quem não planeja corre o risco de fazer duas vezes.

 

Disponibilidade Hora Máquina:

Máquina parada nem sempre é falta de serviço, o mesmo pode-se dizer quanto ao homem. É preciso traçar um objetivo bastante claro e transparente para que todos os operários envolvidos no chão de fábrica possam juntos, participarem da busca incessante da eficiência máxima do uso do equipamento de produção. Esta é uma das razões de existir prêmios de incentivos para boas idéias, isto é fantástico porque os que executam as rotinas têm maior facilidade de explorar a capacidade criativa. 

O lema é: Produzir na hora certa, em quantidade correta, com qualidade, sem interrupção, isto é o ponto ideal para qualquer cenário de produção. 

A vida útil do equipamento de produção esta relacionado diretamente ao programa efetivo de manutenção preventiva (com rigor e seriedade), preparação adequada do operador no manuseio correto e na sua constante conservação diária, conservar prontuário de históricos de manutenção de reparos efetuados, uso de matéria prima correta na produção,etc. 

 

Qualidade:

Não há o que se falar quanto a qualidade, lembre-se sempre que a concorrência está de olho na sua deficiência. O importante é transferir para o próprio operador a responsabilidade de executar corretamente cada operação em cada componente que passa pelo seu posto de trabalho. Delegar poder de interromper a produção quando ocorrer problemas que possam comprometer a qualidade, é uma condição "sine qua non" . A meta é sempre estar pensando em satisfazer o cliente naquilo que vamos lhe entregar. Quando a equipe entende esta filosofia de trabalho, tudo na empresa começa ter uma conotação diferente, todos crescem e ficam extremamente pro ativos nas atitudes, nos pensamentos e na maneira de agir. Isto acaba se estendendo até mesmo para a vida pessoal.

 

Setup:

 Na maioria do casos o setup é considerado tempo morto e irreversível , ou seja, um mal necessário. Se analisarmos o conceito da Teoria das Restrições, ela tem um foco muito forte na complexidade das operações no chão de fábrica, e como não poderia de ser, também há uma preocupação com o setup como um elemento que integra o plano de investigação constante para incremento de melhorias. Investir na redução de setup é uma necessidade constante e real.

Agilizar a troca de ferramenta não significa ritmo acelerado de quem a executa, é compromisso sério de simplificar etapas no processo, dividir tarefas, eliminar ociosidades. É um objetivo coordenado, de maneira sistêmica que envolva toda equipe de trabalho (um bom time de preferência).

 


Veja algumas ações que contribuem para o bom resultado do setup

  • Programa de trocas
  • Requisição de matéria prima na hora certa
  • Padronização de dimensões
  • Planejamento das etapas, definicndo a sequência das operações
  • Equipamento para movimentação disponível
  • Almoxarifado de ferramentas em ponto estratégico
  • Padronização do ferramental na medida do possível
  • Sistemas de guia para posicionamento automático das ferramentas e de dispositivos
  • Múltiplos jogos de ferramentas e dispositivos muito utilizados
  • Catadores laterais eliminando cavacos
  • Sistemas pneumáticos de fixação
  • Ferramentas seccionadas em partes (módulos facilitam montagem)

 
Vide o gráfico abaixo e veja como é notório e expressivo as vantagens na redução do setup:
 

Analisando este gráfico conclui-se que, em se otimizando a redução do setup, otimiza-se o tempo do recurso tornando maior a sua disponibilidade para produção. Vemos que o custo do inventário cresce na razão direta e proporcional do aumento da quantidade produzida, enquanto que o custo de preparação de maquina diminui (custo do setup é fixo e quanto mais se produz menor será o custo do setup). O custo total representado pela soma do custo de preparação com o custo do inventário será mínimo no ponto de interseção das duas curvas C2, referente ao lote econômico Q2. Se o tempo da preparação for reduzido o custo diminui, por conseguinte o custo C1 passa ser menor, e com isso acarreta um novo lote econômico Q1 e, conseqüentemente diminui também o inventário em processo. 

Esta análise irá surtir mais efeito em relação ao recurso que provoca gargalo, o mesmo não ocorre com o recurso que não é gargalo. Se ganharmos uma hora no setup do recurso gargalo estamos acelerando a produção com um todo na equivalência do tempo ganho na respectiva redução. Enquanto que na redução de tempo improdutivo em operações que não sofrem estrangulamento teremos ganho no tempo de processo e a possibilidade de diminuir o lote econômico, porem com pouca influência no lead time da produção e no lucro da empresa. Lembre-se que esta filosofia de procedimento é constante porque ela representará sempre algum ganho.

Setup rápido pode tornar o processo produtivo mais flexível porque permite a troca de ferramentas mais vezes no mesmo dia e, assim aumenta a capacidade de atendimento às diversificações de produtos. Como é definido na TOC o melhor mix de venda é uma produção enxuta e rápida (baixa complexidade menor grau de restrição), e a rentabilidade analisada em função do giro e não pelo seu custo unitário ou margem de contribuição.

 

Operador Polivalente:

É comum em determinadas situações no processo produtivo, existir lead times onde, as vezes, o operador fica aguardando a execução da operação. Em casos como estes, é aconselhável alterar o lay out tentar elaborar um arranjo (recursos similares) agregando máquinas e unificando estas operações em células, assim o mesmo operador pode estar executando mais de uma operação ao mesmo tempo. Há também outras formas que caracterizam a polivalência que é, aproveitar melhor o tempo ocioso dos operários treinando-os para executarem múltiplas funções.

 

Automatização de Baixo Custo:

Tem por objetivo adaptar acessórios aos recursos já existentes na empresa para reduzir tempos ociosos otimizando assim a eficiência nas operações. Toda automatização deve ser precedida do bom senso na análise do $Custo X $Benefício, assim automatizar uma operação é torna-la simples e fácil e jamais complicar, mais do que já está complicado. Quando aqui se fala em operação, é abrangente a toda e qualquer operação que esteja envolvido no processo produtivo.

Converter e adaptar recursos já existentes agregando acessórios ou dispositivos (turbinar tornos automáticos, torno revolver, cadeia de operações de furadeiras, cadeia de prensas automáticas ou semi automáticas, etc.), tornando estes recursos ágeis e extremamente mais produtivos com baixo investimento, é um procedimento plausível e viável porque o resultado é satisfatório em todos os sentidos e, principalmente o financeiro. É importante lembrar que os custos classificados como ativo fixo são amortizáveis em função da vida útil do equipamento (amortização financeira pela depreciação, normalmente 10%aa.). 

 

Produção Lote Mínimo:

Podemos dizer que consiste na sincronização das operações ao longo do processo produtivo, regularizando o ritmo de trabalho e balanceando as quantidades produzidas na unidade de tempo. O conceito do lote mínimo nem sempre coincide com o lote econômico, porque neste caso estamos atendendo a demanda real e estamos desvinculados do planejamento de estoques (just in time).

A sugestão de produção do Orion Manufatura® é vinculada à necessidade real (carteira de pedidos) possibilitando o chão de fábrica ser equacionado em função da capacidade de atendimento da demanda existente. Isto vai de encontro com a política de flexibilização do processo produtivo conforme descrito no tópico setup. Para produzir em lotes pequenos (lote mínimo) por exemplo, basta definir a regra no momento da explosão da necessidade (MRP). Não podemos esquecer que o balanceamento da produção depende do balanceamento do atendimento aos pedidos de venda. O chão de fábrica sofre demais quando a política de vendas é mal definida. é um tal de apagar incêndio que deixa todo mundo entediado.

Veja as duas figuras

 

A primeira figura mostra um balanceamento linear onde a seqüencia é determinada pela execução de produto a produto. Isto com certeza aumenta o nível de estoque. O ideal é o balanceamento conforme vimos nesta outra figura, ou seja em paralelo, onde a montagem imprime um ritmo de atendimento diário de cada produto na proporção do volume de pedidos. Ao longo do ciclo produtivo os setores de fabricação alimentarão a montagem de forma constante, e assim o nível de estoques dos produtos em processo, com certeza, será mínimo.

 

KANBAN:

Entre tantas definições podemos dizer o seguinte: É um controle da produção onde é utilizado cartões, podendo ser classificados em cores (verde amarelo e vermelho), e o sistema de produção é comandado, normalmente,  pelas linhas de montagem que respondem pela autorização de fabricação dos componentes necessários. Neste conceito a figura do almoxarifado não existi, o que existe são os chamados supermercados localizados muito próximo ao local de consumo, nas linhas de montagens por exemplo. O número de cartões a ser definido é em função da quantidade que represente a velocidade de consumo da linha de montagem e o tempo de reposição necessário ao suprimento dos lotes.

Vide a figura representado um fluxo básico do Kanban:

A peça A foi autorizada sua fabricação em função do nível vermelho, a sua reposição foi feita levando-se em consideração o lead time para garantir que a montagem não vai parar enquanto este componente está sendo produzido.

 

O Kanban é o módulo do Mínimo Inventario em Processo responsável pela programação da produção e controle do material em processo, objetivando trabalhar com estoque ZERO. Entendemos porem, que se trata de um conjunto de medidas para dar suporte a este conceito conforme vimos nos tópicos anteriores. O sucesso deste sistema está embasado na funcionalidade simultânea de todos os tópicos vistos anteriormente, é um sincronismo absoluto que espera contar com a parcela de  responsabilidade de todos aqueles que estão envolvidos, é o verdadeiro espírito de equipe, união, força, consentimento, entendimento, plena harmonia. Alem de levar em consideração a máxima contribuição do ser humano, é possível selecionar aqueles componentes que representam maior parcela do capital de giro investido, sendo estes classificados em função do coeficiente de repetibilidade e do coeficiente de variação.

No Orion Manufatura® o conceito de produzir é vinculado a regrinhas básicas como é o caso do Kanban. Além de estar olhando a carteira de pedidos constantemente, nele pode agregar o complemento do estoque mínimo e ser encaminhado para a produção tão logo seja verificado no kardex do almoxarifado ou dos supermercados. A regra pode estender também quanto as sazonalidades, estudos do comportamento do consumo de tempos passados ou média móvel.

Se para funcionar o Kanban é necessário contar com a equipe, no Orion Manufatura® não é diferente. E preciso ficar bem claro que o cenário da produção que está na tela do seu micro, tem que ser a reprodução fiel do que está acontecendo no chão de fábrica, senão também não faz sentido. Isto é de fundamental importância porque quando ocorre, e não é nenhuma anormalidade, a necessidade de reprogramar o chão de fábrica priorizando algumas ordens, este novo cenário que alterou as filas das ordens nos recursos têm que ser real, senão.... "a vaca vai pro brejo"...

Na realidade o Kanban vem provar para todos nós que, mesmo a empresa não tendo possibilidades de investir na informatização ele atenderia plenamente a necessidade do gerenciamento da produção. 

No entanto o Orion Manufatura® sob a ótica da equação $Custo X $Benefício é uma ferramenta extremamente viável, versátil e propicia a recuperação do investimento a curto prazo. E mais ainda, se encontrar um ambiente esteado no Kanban ou mesmo no seu conceito, com certeza, estará fadado ao sucesso absoluto.

Não estamos aqui com o propósito de discutir se A é melhor que B. A idéia é tentar mostrar de maneira um pouco tímida os benefícios encontrados em cada ferramenta e ressaltar a possibilidade da sinergia real que existe, porem respeitando cada qual com seus princípios claros e objetivos que finalizam em gerenciar bem o chão de fábrica.

 

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